Nosso Senhor não dava respostas imediatas, logo não era colérico.
Não era lento como Abraão, portanto não era fleumático.
Não era leve o tempo todo, então não podia ser sanguíneo.
Nosso Senhor era naturalmente profundo e atento aos detalhes da natureza.
Nas parábolas, colocava riquezas profundas extraídas do cotidiano.
Ele viu a viúva que depositou tudo o que tinha para viver no cofre do Templo.
Ele seguiu à risca a vontade do Pai no episódio da cananeia, para quem disse que não ficaria bem dar o pão dos filhos aos cachorrinhos, mas depois se comoveu — porque era um melancólico maduro.
Ele demorava certo tempo para se irritar e “explodir”: demorou para chamar os discípulos de lentos e tardos de inteligência; demorou para repreender os fariseus como filhos do demônio e do inferno; e, quando chorou sobre Jerusalém, voltou para Betânia e, premeditadamente, trançou um chicote durante a madrugada para, no dia seguinte, expulsar os vendilhões do Templo. Aquela explosão de ira santa não foi intempestiva.
Porém, quando estava à vontade com os seus amigos, era tranquilo, leve e feliz.
Portanto, sim: Nosso Senhor era um melancólico maduro diante do mundo (fiel a Deus e comprometido com a sua missão), mas, entre os seus, era simples como as pombas, evidenciando o lado criativo e alegre próprio dos sanguíneos. Nosso Senhor era melancólico-terra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário