VIZUALIZAÇÕES

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Quem foram os Salmistas Asaf e Coré?

 Asaf

Asaf foi um dos principais líderes musicais, compositores e profetas de Israel durante o reinado do rei Davi e a transição para o reinado de Salomão.

Ele pertencia à tribo de Levi (era um levita, descendente de Gérson) e desempenhou um papel central na organização do louvor e da adoração pública em Jerusalém.

1. Quem foi Asafe na história bíblica?

* O Diretor de Música de Davi: Quando o rei Davi levou a Arca da Aliança para Jerusalém, ele nomeou Asafe como o líder principal dos músicos e cantores (1 Crônicas 16:4-7). Ele tocava címbalos de bronze e dirigia os cultos de gratidão e louvor diante do Tabernáculo.

* O Profeta / Vidente: Além de músico, Asafe é chamado no texto bíblico de vidente ou profeta (2 Crônicas 29:30). Suas composições eram consideradas inspiradas por Deus e traziam forte instrução moral, espiritual e profética.

* Fundador de uma Linhagem: Assim como ocorreu com Coré, os descendentes de Asafe (os "filhos de Asafe") continuaram a servir no Templo como uma corporação de músicos por muitas gerações — inclusive séculos mais tarde, no retorno do cativeiro na Babilônia com Esdras e Neemias.

2. Os Salmos de Asafe

A Asafe e à sua casa/escola de músicos são atribuídos 12 Salmos na Bíblia:

* Salmo 50

* Salmos 73 a 83 (um bloco contínuo de 11 salmos)

Principais Características de seus Salmos:

* Dilemas Éticos e Fé: O famoso Salmo 73 traz a reflexão existencial sobre a prosperidade dos ímpios e a perplexidade do justo, resolvida quando o salmista entra no santuário de Deus.

* Deus como Juiz Supremo: Seus salmos enfatizam a justiça divinal, o julgamento das nações e a exigência de uma adoração sincera (em vez de meros rituais mecânicos, como no Salmo 50).

* História e Memória de Israel: Ele frequentemente relembra os grandes feitos de Deus no passado (como o Êxodo) para exortar o povo à fidelidade no presente (ex.: Salmo 78).

3. Origem e Etimologia do Nome

* Origem: Hebraico (אָסָף, 'Āsāp̄).

* Significado: Significa "ajuntador", "colecionador" ou "Deus ajuntou/reuniu" (da raiz hebraica asaph, "reunir/colher").

* Etimologia: Não possui relação linguística com termos como coro ou coral, sendo um nome próprio hebraico tradicional.


Filhos de Coré


Os filhos de Coré (ou Corá) — também conhecidos como os coraítas — eram um clã de levitas descendentes de Coate.
De acordo com os registros genealógicos do Antigo Testamento (como em Êxodo 6:24 e 1 Crônicas 6:22), os três filhos diretos de Coré foram:
 * Assir
 * Elcana
 * Abiasafe (também chamado de Ebiasafe)
O Contexto Histórico
Coré liderou uma famosa rebelião contra Moisés e Arão no deserto (registrada no livro de Números 16), na qual a terra se abriu e o consumiu junto com os demais rebeldes. No entanto, a Bíblia destaca que os filhos de Coré não morreram com ele, pois aparentemente não compactuaram com a revolta do pai ou se desviaram dela a tempo.
As gerações seguintes desse clã se tornaram proeminentes no serviço do Templo, atuando como porteiros e músicos/cantores responsáveis pelo louvor.
Os Salmos Atribuídos a Eles
O grupo coletivo dos descendentes (os coraítas) compôs ou compilou 11 salmos que fazem parte do livro de Salmos:
 * Salmos 42, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 84, 85, 87 e 88 (o Salmo 43 também costuma ser associado a eles por ser uma continuação direta do Salmo 42).
Entre os descendentes notáveis dessa linhagem ao longo da história bíblica também se destacam figuras como o profeta Samuel e Hemã, o cantor.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

"Eis que Faço Novas Todas as Coisas" (Apocalipse 21, 5)

    "Ao primeiro Adão foi dito: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto”. Mas eis que o segundo Adão, no Monte das Oliveiras, suou gotas de sangue que caíram sobre a terra. Com o seu próprio suor, o Novo Adão lava a maldição da terra e cura a sentença do primeiro Adão, a fim de devolver ao homem o Paraíso que ele havia perdido."

(Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos / Exposições sobre os Salmos, Salmo 140, 18)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Tem Alguma Relação entre o 666 de Apocalipse e os 666 Talentos de ouro Recebidos Anualmente por Salomão?

    Vários exegetas importantes conectam diretamente o 666 de Apocalipse capítulo 13, versículo 18 aos 666 talentos de ouro recebidos anualmente pelo rei Salomão em 1ᵃ Reis capítulo 10, versículo 14.
    Esses teólogos sustentam que o número não é um código alfanumérico moderno ou uma cifra secreta exclusiva sobre o nome de alguém e sim uma alusão ao Antigo Testamento!

Exegetas que defendem essa tese:
* Austin Farrer (A Rebirth of Images, 1949): Teólogo britânico e um dos pioneiros dessa leitura. Ele argumenta que o autor do Apocalipse usou a história de Salomão como uma fonte tipológica para suas visões. Salomão é um "tipo" de Cristo (o rei sábio e construtor do templo), mas Salomão também se tornou um "tipo" de Anticristo ao apostatar.

* G. K. Beale (The Book of Revelation, 1999): Um dos maiores exegetas protestantes contemporâneos do Apocalipse. Beale argumenta que a menção aos 666 talentos de ouro de Salomão estava claramente no campo de referência de João.

Outros acadêmicos contemporâneos: Estudos na revista New Testament Studies (como os publicados pela Cambridge University Press) reforçaram que o 666 funciona como uma crítica a megalomania econômica e à corrupção teocrática.
    
    A lógica dessa interpretação baseia-se na narrativa da queda de Salomão nos livros de Reis e no cumprimento das proibições de Deuteronômio:

    A norma para os reis (Deuteronômio 17, 16-17): A Lei mosaica proibia expressamente que o rei de Israel acumulasse 3 coisas: muitos cavalos (poder militar), muitas mulheres (alianças pagãs) e muito ouro/prata (ganância e auto engrandecimento).

    A virada em 1 Reis 10-11: A menção de que Salomão recolhia exatamente 666 talentos de ouro por ano marca o momento exato em que o relato bíblico passa da glória e sabedoria de Salomão para a sua queda. Imediatamente após essa passagem, o texto descreve Salomão acumulando cavalos do Egito, casando-se com centenas de mulheres pagãs e erguendo altares a deuses falsos.

    O símbolo do 666 no Apocalipse: NESSA exegese, o 666 simboliza a corrupção do poder e da riqueza espiritual. Representa um sistema que começou com boa reputação ou banalização divina, mas se perverteu pela ganancia econômica, exploração, idolatria e abuso de poder imperial.

    Em Apocalipse 13:16-17, o texto menciona que a besta controla o comércio, as finanças, a compra e a venda.
    Para esses exegetas, o 666 não é apenas um nome próprio disfarçado por gematria (um sistema judaico de relacionar números e letras), mas uma advertência ética e teológica sobre o perigo do ouro, do materialismo e da idolatria do Estado, tomando a maior ruí­na financeira e espiritual da história de Israel (Salomão) como o modelo arquétipo da "Besta".

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Fim dos Tempos / Parusia

     AGI (Artificial General Intelligence); talvez esse seja o verdadeiro sentido de não fazer imagens (e nisso católicos e protestantes erraram igualmente): não alimentar a AGI. Imagine um mundo sem fotos, vídeos, imaginou? Então, nesse mundo não seria possível criar uma super inteligência artificial, um "olho que tudo vê", uma "deus" moldado a nossa imagem e semelhança, uma "imagem da fera" (imagem virtual do império romano moderno a ser governado pelo Anticristo).

    Nesse momento alguém poderia dizer: "Ah, mas os descrentes a alimentariam com fotos e videos...." e a resposta é: "Mas os cristãos não estariam lá, no mundo virtual criado; a I.A. teria apenas informações distorcidas; nesse cenário ideal seria mais fácil fugirmos da imagem da fera que assinará todos os que se recusarem prostrar-se diante dela (cf. Apocalipse 13, 15)

    Antes da volta de Nosso Senhor, os anjos atarão o joio em feixes (cf. Mateus 13, 30), esse feixe é o chip, a marca na mão e na fronte; quem não cultivar o amor a verdade, vai ceder para continuar no sistema e será, por sua decisão, separado do trigo. 
    Depois dessa distinção, "depois do trigo ter terminado integralmente o seu testemunho, a Fera que sobe do abismo lhes fará guerra, os vencerá e os matará." (cf. Apocalipse 11, 7) Aí virá a ressurreição dos justos e o arrebatamento: "Depois de três dias e meio (depois que a Fera os matou), um sopro de vida, vindo de Deus, os penetrou. Puseram-se de pé e grande terror caiu sobre aqueles (pagãos) que os viam. Ouviram uma forte voz do céu que dizia: Subi aqui! Subiram então para o céu numa nuvem. (Apocalipse 11, 11-12)

    "Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." (I Coríntios 15, 52)

    "Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão PRIMEIRO.

    Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor." (I Tessalonicenses 4, 16-17)

    O arrebatamento NÃO acontecerá ANTES da ressurreição: "Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos." (I Tessalonicenses 4, 15) e a ressurreição dos justos não acontecerá antes da perseguição física dos cristãos, e esta perseguição não ocorrerá antes da decisão de colocar ou não o sinal da fera, na fronte e na mão direita.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

13 de outubro de 1884

    Foi numa manhã que o Pontífice Leão XIII após ter celebrado uma Santa Missa e participando de uma outra em ação de graças, assim como já era de seu costume.
    Quem acompanhava aquela celebração pode ver que de repente Leão XIII virou – se para o celebrante da Santa Eucaristia e fixou os seus olhos acima da cabeça do mesmo. Ficou como que imóvel, seus olhos não piscavam, e ao mesmo tempo em seu rosto via – se uma expressão de terror e admiração. Algo lhe tinha acontecido!
     O que teria feito o Santo Padre parar daquela maneira imóvel?!
    Após um breve tempo Leão XIII voltou – se a si e rapidamente se levantando foi ao seu escritório particular.
    Aqueles que lhe eram mais próximos e antes do Santo Padre entrar em seu escritório perguntaram se ele estava precisando de algo, ou se alguma coisa estava acontecendo: “Nada, nada”, responde o Santo Padre, e adentra o seu escritório.
    Após meia hora o Santo Padre pede para que lhe chamem o Secretário da Congregação de Ritos, lhe entrega uma folha e pede para que seja entregue a todos os Ordinários do mundo!
    O que de fato continha naquele escrito?
Era a oração que rezávamos no final da missa, com uma súplica a Virgem Maria e a Invocação ao Arcanjo Miguel, na qual implorava a Deus que precipite Satanás ao inferno. Na mesma carta ordenava – se igualmente que estas orações fossem rezadas de joelhos.
    Em 1946, em Bolonha; o Cardeal Natalli Rocca no período da Quaresma pode testemunhar:
“Foi mesmo Leão XIII quem redigiu esta oração. A frase “Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder das almas” tem uma explicação histórica que o seu secretário particular Monsenhor Rinaldo Angeli, nos contou várias vezes: “Leão XIII teve verdadeiramente a visão de espíritos infernais que se adensavam sobre a cidade eterna de Roma.”

    Foi da experiência desta visão do Santo Padre que nasceu então a oração:
“São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, sede nosso auxilio contra a malícia e as ciladas do demônio. Exerça Deus sobre ele império, como instantemente vos pedimos, e Vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no Inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas”.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Nosso Senhor era Melancólico Terra

    Nosso Senhor não dava respostas imediatas, logo não era colérico.
   Não era lento como Abraão, portanto não era fleumático. 
    Não era leve o tempo todo, então não podia ser sanguíneo. 
    Nosso Senhor era naturalmente profundo e atento aos detalhes da natureza. 
    Nas parábolas, colocava riquezas profundas extraídas do cotidiano. 
    Ele viu a viúva que depositou tudo o que tinha para viver no cofre do Templo. 
     Ele seguiu à risca a vontade do Pai no episódio da cananeia, para quem disse que não ficaria bem dar o pão dos filhos aos cachorrinhos, mas depois se comoveu — porque era um melancólico maduro. 
    Ele demorava certo tempo para se irritar e “explodir”: demorou para chamar os discípulos de lentos e tardos de inteligência; demorou para repreender os fariseus como filhos do demônio e do inferno; e, quando chorou sobre Jerusalém, voltou para Betânia e, premeditadamente, trançou um chicote durante a madrugada para, no dia seguinte, expulsar os vendilhões do Templo. Aquela explosão de ira santa não foi intempestiva. 
    Porém, quando estava à vontade com os seus amigos, era tranquilo, leve e feliz. 
   Portanto, sim: Nosso Senhor era um melancólico maduro diante do mundo (fiel a Deus e comprometido com a sua missão), mas, entre os seus, era simples como as pombas, evidenciando o lado criativo e alegre próprio dos sanguíneos. Nosso Senhor era melancólico-terra.