VIZUALIZAÇÕES

sábado, 14 de março de 2026

Nã Plenitude doe tempos...

 O Verbo de Deus "demorou" para vir ao mundo, encarnar-se e se tornar um de nós - embora o plano de salvação já estivesse traçado antes da fundação do mundo (cf. 1ª Pedro 1, 19) porque, não podendo o Filho se prevalecer da igualdade com Deus, para vencer na cruz e cancelar o decreto "se comeres do fruto do conhecimento do bem e do mal, morrerás", cravando-o na cruz; para ter força para conseguir vencer no calvário, Ele necessitava do alimento da Palavra de Deus, necessitava das profecias, dos salmos, das histórias de salvação registradas na Sagrada Escritura, e tudo isso leva um tempo, uma maturação, um período para chegar à plenitude.

    Jesus, ele que é o Verbo de Deus, veio destruir a nossa condenação através da destruição de si na crucificação, substituindo o desligamento causado pelo pecado por uma religação (eis a origem da palavra religião): Sim, Jesus veio ao mundo instituir a verdadeira religião!
    Ao entregar seu Espírito ao Pai, o Pai o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra." (Filipenses 2, 9-10). Ao entregar seu Espírito ao Pai, o Pai passou a conceder o Espírito Santo sem medidas a todos os que creem no nome do Seu Filho! 
    É necessário crer na verdade para ser salvo, pois Deus não nos criou como algoritmos sem capacidade de decisão, Deus não nos criou como animais que apenas buscam o prazer e fogem da dor. O objetivo maior aqui na Terra não é que tenhamos uma vida melhor, mas que sejamos santos, nos santifiquemos por fé, esperança e amor. O Senhor deseja nos purificar da mentira, pois a mentira é o motivo de estarmos presos neste vale de lágrimas.
    Sem encarar a verdade não há libertação; sem vivê-la não há salvação. 
    Jesus disse: "O pecado consiste em não crer em mim." (João 16, 9). A salvação do Reino da morte é condicionada a abraçarmos a verdade, mesmo quando esta não é compreensível ao nosso limitado conhecimento, lembrando que a nossa cabeça não é maior que uma bola de basquete, mas a mente do Autor e mantenedor da vida é maior do que o planeta Terra, maior do que a nossa galáxia, maior do que o Universo! 
    O sentido da vida humana é participar da vida divina, "o Filho de Deus se fez homem para nos fazer deuses." (Santo Atanásio); "o Filho Unigênito de Deus, querendo-nos participante de sua divindade, assumiu a nossa natureza para que aquele que se fez homem, dos homens fizesse deuses." (São Tomás de Aquino); "o que Deus pretende é fazer-nos deuses por participação, sendo-o ele por natureza, como o fogo que converte tudo em fogo." (São João da Cruz).
    Nascemos para ser "deuses com ´d´ minúsculo", não para sermos "iguais a Deus", não para que estejamos "no mesmo nível que Deus"(cf. Catecismo da Igreja Católica, 398), pois a paz carece de ordem.
    O Senhor permitiu a provação no Éden não para o seu prazer, como se fossemos apenas "bonecos de teste", mas porque "ser provado" é uma consequência do propósito grande de Deus para nossas vidas. Para ter a comunhão com Ele, ou seja, nos tornarmos deuses por participação no amor, é necessário reconhecer que Ele é a fonte de todo bem, e é preciso obedecê-LO, mesmo quando não compreendemos a Sua vontade totalmente; é imprescindível reconhecer que a palavra divina é quem manda, que Jesus é o Senhor do Universo! 
    Não foi Deus quem criou o mal; o mal é a ausência do bem. Ser tentado, escolher entre obedecer ou desobedecer não é um problema, optar é inseparável à natureza de que somos feitos. 
    Para termos o gesto heróico de nos decidir pela fidelidade a Deus, necessitávamos da chance de o fazer; só se pode escolher quando se tem duas ou mais opções. O mal, a ausência do bem, é a única opção fora dele. Deus é luz e nEle não há treva alguma. (cf. 1ª João 1, 5)