*Vida É uma Escolha pela Verdade*
Eu tentei, mas um mistério tão grande não cabe em poucas linhas...
Considerando que Deus não pode desdizer o que fala e que toda dor é um limite, por condicionar a história humana à liberdade das pessoas, Deus sofre. Uma vez que Ele tenha decretado o livre arbítrio dos anjos e dos homens, se o "direito de escolha das criaturas" for mal utilizado, o sofrimento será uma realidade também para Ele. Este é o sentido do "permitir" de Deus: o resultado direto de nossas escolhas.
Deus é a verdade, e a verdade não muda.
Para invalidar um documento, sem adulterá-lo, é necessário legitimamente cancelá-lo. A única forma de "rasgar uma palavra", "um edito pronunciado pelo Senhor" era apagando a palavra na história.
Nós mesmos escrevemos, no livro da vida, os pecados que nos condenam, mas "eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores." (Romanos 5, 8)
Assim como as palavras de um idioma, por si mesmas, não podem errar, mas quem erra é o escritor ou o falante que se utiliza delas para fins ilícitos, o amor (que não deixa de amar) se fez vulnerável, se deixou ferir, dilacerar, ao permitir que usemos mal a nossa liberdade e escrevamos nossa história também com pecados e transgressões... Deus nos refaz a cada instante, Ele "sustenta o universo com o poder da sua palavra." (Hebreus 1, 3)
Quando Adão e Eva caíram, Jesus, em sua misericórdia, talvez disse:
"Eles erraram Pai... Somos a verdade em pessoas, em três pessoas, não podemos desdizer o que dissemos. Mas vejo nos olhos do Senhor uma profunda dor: a mentira nos roubou aqueles que criamos à nossa imagem e semelhança.
Sei que o único jeito de apagar essa desobediência registrada no livro da vida é "me apagando" na realidade deles, pois sou "o dedo do Senhor", o "logus" eterno, o mesmo dedo com o qual escreveste os dez mandamentos nas tábuas de pedra. Enquanto a justiça exige morte, a regra é a pedra, a lei ordena o apedrejamento, eu quero me abaixar e ser escrito na terra, ser gravado na alma deles, registrado no húmus, no coração humano, e assim eles obedecerão a lei natural.
Se é preciso que eu seja apagado e ressuscite, para que eles vivam, "então eu digo: eis que venho, com prazer, faço vossa vontade, meu Deus." (cf. Salmo 39(40), 8-9)"
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, morreu na cruz e, na ressurreição, fez novas todas as coisas!
"É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz." (Colossenses 2, 13-14)
Aquele que não conheceu o pecado foi feito pecado por nós para que, nele, nos tornássemos justiça de Deus (2ª Coríntios 5, 21).
O amor aceitou que cuspissem em seu rosto, o envergonhassem retirando e repartindo suas vestes, insultassem-no com calúnias, flagelassem--no com chicotadas...
Não foi fácil. "Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo." (Filipenses 2, 6-7) Jesus suou sangue no Horto das Oliveiras, pois não poderia falhar; não poderia blasfemar (nem mesmo interiormente), porque "todo o que peca é do demônio." (cf. 1ª João 3, 8). Se a mentira fosse inoculada na verdade, a verdade se implodiria, o Universo se desintegraria: tudo "iria pelos ares..." Uma Verdade corrompida é algo intrinsecamente contraditório; uma "meia-verdade" já é uma mentira!
Deus nos amou até às últimas consequências! Ele arriscou tudo (inclusive Ele) por nós!
A capacidade dos seres humanos é pequena demais perante essa imensidão! É como querer colocar o oceano todo dentro de um copo de água. Mas, mesmo limitados, precisamos ter um mínimo de entendimento, pois a fé vem pelo ouvir e é pela fé que somos salvos.
(Gustavo Monteiro Gonçalves - 29/03/2024 - Sexta-feira da Paixão)
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